As regras do jogo

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O primeiro jogo dos antidemocráticos já tem um vencedor : a FIFA. Assim, o Futebol lidera por 1 a 0. Mas tudo pode mudar na segunda partida, na qual vamos falar sobre as regras do jogo no futebol e no rádio. Se os gramados e o espetro eletromagnético são espaços compartilhados, são necessárias algumas regras básicas para organizar um jogo de futebol e uma emissão de rádio. Precisam ser definidos os equipamentos utilizados, o número de jogadores, o que se considera falta, etc. Mas será que todas as regras atuais são de caráter democrático?

Para o antropólogo e professor Gundo Rial y Costas, a resposta é não. O texto que o antropólogo traz para a competição de hoje fala sobre a “mão invisível” do Futebol, que altera os resultados sem a participação dos juízes. De acordo com a radialista Ana Martina, do Prometheus Radio Project, no rádio é ainda pior. Ela nos apresenta as regras rígidas às quais são submetidas às rádios comunitárias nos Estados Unidos para obterem frequências. Quem vai ganhar essa partida?

Participe, porque neste jogo são vocês que decidem!

Rádios comunitárias X rádios comerciais: regras de um jogo injusto

por Ana Martina

Em novembro de 2013, os telefones no escritório do Prometheus Radio Project, Philadelphia, Estados Unidos, não paravam de tocar, com dezenas de telefonemas por dia. Tinha chegado o momento esperado por mais de 10 anos: candidatar-se para uma licença de rádio de transmissão de baixa potência. Os aspirantes: rádios comunitárias que atualmente transmitem com 100 watts de potência com um intervalo de 3 a 8 quilômetros.

Tanto elas como o nosso projeto Prometheus começamos como “rádio pirata”. Somente depois de 10 anos de brigas com a Comissão Federal de Comunicações (FCC) e de lobby em Washington DC, a FCC finalmente publicou no ano passado um novo regulamento que inclui as rádios comunitárias de baixa potência.

Vivo em um país onde grande parte do espectro de rádio é controlada pelo monopólio Clear Channel e as opções de rádio pública são dominadas pela National Public Radio, conservadores de corrente liberal. Dessa forma, populações minoritárias como camponeses, imigrantes, negros e de baixa renda são totalmente marginalizadas quando se trata de meios de comunicação. Durante o período de aplicação das licenças recebemos dezenas de chamadas. E, contrário ao atual uso uniforme do espectro de rádio, as ligações refletiram a diversidade do país.

Talvez tenhamos em nossas mãos uma ótima oportunidade para diversificar a opinião pública nos Estados Unidos. Prometheus tem lutado pelo o acesso a rádios comunitárias e defende o potencial deste meio como uma ferramenta para apoiar organizações de base e populações minoritárias.

No entanto, no ano 2014, esses grupos ainda se encontram no início de um longo caminho para construir as suas próprias estações de rádio. As regras da FCC são muito rigorosas, e para poderem ser aplicadas a essas frequências requere-se um estudo de engenharia para verificar se as estações propostas não irão interferir nas estações existentes. Além disso, os equipamentos possuem um custo muito alto, cerca de sete mil dólares, pois precisam ser certificados pela FCC. Soma-se ao montante ainda a mão-de-obra dos engenheiros.

Uma vez que estas estações recebam suas licenças, terão um prazo de 18 meses para entrar no ar em conformidade com todas as normas e exigências da FCC. Caso contrário, a autorização expira no final do prazo, o que significa que estes grupos estão agora no corrida contra o tempo para angariar fundos para a aquisição destes equipamentos caros. O processo de aplicação é altamente competitivo. Na baia de São Francisco, por exemplo, existem cerca de 30 candidatos para a mesma frequência. Em alguns casos, o processo de competição envolverá processos judiciais excessivamente burocráticos.

É definitivamente o início de uma longa batalha que está apenas começando para essas minorias mal representadas ou ausentes nos meios de comunicação. Estamos falando de algumas migalhas do espectro radiofônico em um país que tem se especializado no controle dos meios de comunicação como uma estratégia para o controle da população. E ainda por cima, este serviço de rádio de baixa potência é considerado de segunda classe, o que significa que a qualquer momento uma estação comercial pode se mover para outra frequência ou aumentar o seu poder. As rádios comunitárias em muitos casos são obrigadas a transmitir com menos potência para não interferir nas transmissões das grandes rádios comerciais. O que é pior: na maioria dos casos, uma rádio pode até mesmo perder sua licença se prejudicar emissoras comerciais.

Como podem ver, as “minorias radiofônicas” têm regras de jogo bastante difíceis para seguir, e são claramente representadas como populações de segunda classe pela FCC.

Para mais informações sobre o trabalho do Projeto Rádio Prometheus:

http://prometheusradio.org

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A mão invisível do Futebol

por Gundo Rial y Costas

Quando se pensa em jogo, regras e futebol o que “assalta” a nossa mente? No meu caso, me bate na cabeça a safada e mais ou menos invisível mão de Deus, aliás, Diego Armando Maradona, campeão mundial e para a maioria dos brasileiros o segundo melhor jogador de todos os tempos. Ele foi autor de um gol de mão num jogo decisivo contra a Inglaterra na Copa de 86, que trouxe a vitória para a Argentina. Foi um gol que não podia ser, afinal, futebol é futebol e não handebol.

Aliás, não foi o único que não podia ser, há registros de uma grande quantidade deles, como o famoso episódio de Wimbledeon, da Copa na Inglaterra, quando mesmo a bola não passando a linha, o gol foi dado. Algo parecido aconteceu 44 anos depois. De novo Copa, de novo Alemanha-Inglaterra. Porém, desta vez a bola dos ingleses entrou por mais de quarenta (!) centímetros, mesmo assim o juiz supostamente não viu.

Com estes exemplos absurdos surge a grande questão da função do juiz. Será que ele mesmo tem a autoridade para decidir um jogo? Digo “decidir” em todos os sentidos. Porque dessa maneira ele pode ser o décimo segundo jogador que determina o resultado final. Isso é justo? O juiz é então como a caprichosa deusa Fortuna ou mais como uma cega (In-)Justiça?

Já falei muito sobre isso, em botecos, na praia, em salas de aula, no trem e até no avião. Sempre pensei que o juiz decidia os jogos, de olhos bem abertos ou fechados – seja o que for, é a mão visível ou invisível do juiz que decide sobre cartões, impedimentos e gols!

Errei. Conheci o que é uma decisão no “tapetão”, uma não decidida pelo juiz em campo, mas por um outro na Justiça. Aconteceu no final de 2013, o Fluminense com um inferno astral ficando em 17° no campeonato brasileiro e sendo rebaixado. Mas pelo jeito, a ‘Justiça’ foi beijada – a força? – pela ‘Fortuna’ que decidiu ter outro campo para determinar quem não vai à segundona. Pelo jeito o time que ficou na décima sexta colocação, a modesta Portuguesa de São Paulo, tinha escalado um jogador sem autorização no último jogo. Por causa disso, o tribunal de esporte decidiu tirar quatro pontos da Portuguesa e pluft, pluft, pluft… já caiu para a segunda divisão e o Flu subiu para a primeira. Quem dirigiu a Portguesa para esse local indesejado? Uma mão invisível de Maradona, da Fortuna, da (In-)Justiça ou de alguém que a gente não conhece ainda? Algum mago, apenas vestido de um manto tricolor?

O último capítulo dessa mistura entre novela mexicana e tragédia grega-brasileira aconteceu diante do Superior Tribunal da Justiça (STJ), do Rio de Janeiro, onde torcedores da Portuguesa traziam miniaturas de gramado e tapetes para protestarem em vão contra essa decisão feita além do campo. Será que isso pode ser concebido dentro do espírito olímpico do esporte: que o melhor ganhe? No qual as regras apenas servem em teoria e a prática possa ser feita com as mãos de alguém desconhecido, invisível? Imagina só na Copa!

2 comentários sobre “As regras do jogo

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